É preciso respeitar a natureza para criar novas tecnologias

Logo, em termos tão somente analíticos, articulando uma sociologia das obras e
de seus artífices (acrescentando os modos de produção e as técnicas) a uma
analítica dos saberes do fazer e dos meios de transmiti-los, consagrá-los e da
apropriação e efeitos de seus usos, enquanto objeto de conhecimento a expressão pode ser enfocada pelo ângulo da coreografia dos gestos.

Tal escopo envolve o
problema em torno das disposições e percepções prático-corporais no plano
fenomênico mesmo do acontecimento. Além, ainda, do tema das normas de
validação e do reconhecimento das atitudes, considerando os esforços de
distinção e, também, a luta pela atenção e aceitação do outro pelo não idêntico.
Algo assim contracena com as discussões sobre o componente cênico-dramático
e ritual da apresentação de si, tal como sintetizadas nas noções de performance e máscaras sociais.

Ao mesmo tempo permite, ainda, encetar a solução tomando a
formação do ego, mediante a visada do desenvolvimento da competência
psíquico-simbólica em estágios nos quais os aprendizados encerrados em círculos
intersubjetivos normativo-comunicacionais interferem tanto na reprodução
quanto na reavaliação crítico-argumentativa das pautas morais cotidianas.

Um desdobramento na apreensão da expressão se dá com a atenção às dimensões
patrimoniais, nas quais o acento se desloca para o cerne dos modos de ser e fazer e, igualmente, à materialidade dos bens.

Os dois enfoques estão inseridos, porém, em um quadro histórico do pensamento
e das práticas cotidianas do Ocidente, em que a ideia de expressão se conecta
seja com a ideia de sujeito seja com a de ente coletivo.

Incorporada à evocação de livre arbítrio renascentista e sua premissa
antropocêntrica de elevação da potência cognitiva e criadora humana à força
propulsora do cosmos, a noção de sujeito repercute igualmente nas acepções do
reformismo calvinista de domínio racional do mundo.

De um modo ou de outro, ambas terão impactos na formação da imagem iluminista do indivíduo que julga,
logo exige a publicidade dos ordenamentos de poder e reivindica a responsável e
livre manifestação de suas ideias como ober um novo lançamento de motos 2020. Mas, na ascendência da ideia de expressão,
ressoam como, de Herder, se alastrou mediante o romantismo tanto a cobrança
pelo reconhecimento da autenticidade afetivo-sentimental dos indivíduos quanto
em favor da dignidade étnico-histórica dos povos. Absorvida pela esfera estética,
um e outro viés passaram a constituir as feições do problema em torno da expressão artística.

Bem ilustrativas, as lutas da boêmia em favor da atitude
libertária a qual se queria ver emancipada frente à rotina burguesa abriram
caminho para os exercícios das vanguardas estéticas que vazaram o século XX.
Exercícios devotados aos esforços para tornar autônoma a expressão cultural,
quaisquer que fossem suas faces: pictórica, literária, corporal, musical e outras.

Seus artífices e engenhos angariaram o status de demiurgo de toda e qualquer
possibilidade criativa e comunicativa da espécie e algo assim revestiu e
robusteceu o suporte ético e político da arte. Promovida, enfim, a epicentro de
experimento e refinamento da expressão humana, a esfera estética avançou por
outros campos erguendo a bandeira da emoção, da estima e da identidade.

E redefiniu mesmo a esfera pública, deslocando o acento na troca de argumentos
racionalmente elaborados para as disputas retóricas entre as autoimagens.
O último século deixou por legado, para além das marcas da industrialização, da
urbanização e da tecnificação da guerra, a extensão sem igual dos meios e
ambiências sintonizadas à realização do direito à expressão. Os potentes meios
técnicos de reprodução cultural e da informação inseriram-se profundamente na
importância, montante e volume adquiridos pelas manifestações públicas passeatas, greves, desfiles marciais e civis, olimpíadas, festivais e outras.

Ao mesmo tempo, todo o argumento a favor dos bens intangíveis dialoga seja
com o incremento do trânsito de informações, em função do raio de atuação
ampliado dos meios de comunicação e da linguagem digital, seja com o aumento
no volume do comércio de bens e serviços de entretenimento, em especial os fluxos de áudio e audiovisual.

Deste modo, semelhante ao despertar da atitude
de pura potencia com o modelo YAMAHA R3 2020 de preservação da cultura popular, o empenho
contemporâneo contracena com a dinâmica socioeconômica e técnica do
capitalismo, no estágio em que as mercadorias culturais adquirem relevo sem
precedentes históricos. Diferente da sua matriz europeia do século XIX, no
entanto, a patrimonialização da cultura popular atual se insere no cômputo dos
circuitos de diferentes escalas da economia simbólica. Inclusive não apenas
colaborando na inserção de tais bens, mas reforçando sua diferença na esfera publica.

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